O Manifesto Comunista para o Terceiro Milénio

Depois que, em 2024, a edição brasileira de SPK – Aus der Krankheit eine Waffe machen (SPK – Fazer da doença uma armafoi publicada pela editora Ubu Editora, sediada em São Paulo (https://www.ubueditora.com.br/spk.html), surgiram pedidos do Brasil por mais textos do Coletivo Socialista de Pacientes / Frente de Pacientes, SPK/PF (H). Aqui está o Kommunistische Manifest des 3. Jahrtausend em português: O Manifesto Comunista para o Terceiro Milénio (primeiro capítulo).
Este novo escrito em português, escrito ofensivo a partir de e para a doença [Kraenkschrift], é traduzido pelos pacientes da Frente e é, portanto, tal como SPK – Fazer da doença uma arma, a única tradução autorizada e autêntica para o português.

 

O Manifesto Comunista para o Terceiro Milénio

 Não é para amigos de quebra-cabeças. Apenas para ser lido. Por esta razão, é excepcionalmente

 longo. Mas é por isso que pode prolongar a vida. Também é algo incruento.

Para uso interno/externo

FORA COM A CLASSE MÉDICA!

O OBJETIVO: UMA SOCIEDADE SEM CLASSES!

AVANTE A CLASSE DOS PACIENTES!

Todos para fora no 1º de Maio verde?

1)
A saúde é uma quimera biológico-nazista, constatou já em 1970 o SPK, outros não perceberam isso até hoje (“desconcertante”, “secundário”, “desviante”, “hostil às massas”, etc., já sabemos dessa fofoca). Entretanto, também se pode ler isso na imprensa: como um facto, como algo que está feito, e feito por quem? Não há mais dúvidas sobre isso, ou seja, “a arte médica”: “Na era da recolha de dados genéticos, não haverá mais homens saudáveis. Cada um poderá deduzir a partir dos seus dados genéticos que os seus genes são defeituosos e que o seu prognóstico de saúde é obscurecido por defeitos hereditários específicos. Quando os diagnósticos genéticos tiverem avaliado os riscos de doença de um homem, os terapeutas genéticos oferecer-lhe-ão os seus serviços para fugir ao seu destino.” Quem hoje em dia propaga apenas a palavra saúde, tem de ter cuidado para não cair nas mãos do psiquiatra por sofrer de alucinações.

A saúde, o mais sagrado do sagrado, o valor e o padrão supremos que, até hoje, subentendem-se e parecem ser inquebrantáveis, o portador da esperança e da ilusão dos grandes e pequenos em todas as sociedades anteriores, foi destruída unicamente e pela primeira vez pelo COLETIVO SOCIALISTA DE PACIENTES, A FRENTE DE PACIENTES [SPK/PF(H)] (é o que dizem os outros sobre nós). Nenhum dos 500 do SPK queria “saúde”, nenhum deles tem contado desde então com isto. Em poucas palavras: o SPK, como um facto sólido, evidente e irrevogável, encarregou-se de que as bolas de sabão “saúde” e “cura” rebentassem e ficassem rebentadas para sempre. A expulsão, a eliminação de seres humanos, de doentes, de pacientes, chegou tarde demais desde o início, porque a bola de sabão “saúde” tinha rebentado em público, como já foi dito, desde o início (1965). Este facto também não pode ser alterado pela afirmação, expressa posteriormente pelo lado adversário no “Arquivo de Genebra para Processos Políticos “, e isso com uma intenção hostil, de que no SPK havia curas milagrosas. No SPK, ninguém tomou a doença dos outros como doença dos outros. Quem toma a doença como doença dos outros, faz com que ela se transforme numa doença médica e isso tem repercussões, também sobre si próprio. Todos, mulheres, homens, crianças, no SPK, compreenderam ativamente na prática o que isso significa, independentemente do grau de “deficiência mental”, “diabetes”, “toxicodependência”, “paralisia”, “gaguez”, “óculos de Valium” que a medicina lhes tinha certificado anteriormente.

Os médicos, que desde sempre estabeleceram a sua norma e a si próprios como norma, tornaram-na hoje algo automático, executando-a, entretanto, como autómatos, como computadores. Os outros colaboram executando essa norma automaticamente nos seus programas de computador. Desta forma, esta norma médica, já há muito tempo, ultrapassou a cabeça de todos e está fora de controlo. Desde 1977, chamamos a essa norma de Iatrarquia. É uma prática sem autor, sem responsáveis. É a nova burguesia, a Normesia. Essa Normesia tinha que ser atacada, tem que ser atacada e terá que ser atacada. A antiga burguesia já passou. Quem é responsável? Todos aqueles que não a combatem e, consequentemente, a apoiam, estão no mesmo nível de um médico, exatamente como se essa pessoa fosse um médico in actu. Mas, dessa forma, não tem mais valor do que as suas células e órgãos. No entanto, é produtor de mais-valia, é iacapista (iatro-capitalista), isso sim. Sim, as classes também não são o que eram antigamente. Mas será que desapareceram? Mais de um terá uma surpresa daquelas: não ajudam nem evasivas nem conversa fiada de especialistas ou não especialistas do tipo: não sou competente nisso, não sou especialista, sobre isso têm de decidir eles.

A linha divisória é estabelecida entre a classe dos pacientes e a classe dos médicos. A característica distintiva é chamada: Frente de Pacientes, de um lado. O lado oposto começa ali onde estão os adeptos e tolerantes da classe médica. Já tivemos isso uma vez (Câmara de Desnazificação contra os chamados sequazes, simples sócios do Partido Nazista). Sim, a proximidade com os meios de produção determina hoje, como antes, o antagonismo de classes. Hoje, porém, de uma maneira totalmente diferente. As forças produtivas já não são o proletariado industrial comum, mas os criadores do “homem novo”, da nova mercadoria de fábrica que é o homem. A terra com as suas matérias-primas já não é o meio de produção. O novo meio de produção é o resto, muito mais amplo, com os seus órgãos corporais (100 mil milhões de células cerebrais cada um, a matéria-prima mais valiosa). E as relações de produção são as normas médicas, armazenadas em programas de computador. Além disso, há alguns setores primários, secundários e terciários que já não se enquadram nos padrões antigos que são a distribuição, o consumo, etc., meus senhores da Associação de Sociólogos!

A doença nas mãos do povo! Classe de pacientes!
Os laboratórios genéticos e tudo o que está relacionado com eles, para o lixo, mas sem reciclagem!
Os chapucheiros dos laboratórios genéticos, e não há outros!, como lixeiros em causa própria, mas em todo o caso sob controlo permanente dos pacientes!
Para começar, isso já é alguma coisa!

A doença é o que hoje em dia todos têm em comum (das allen gemeine), a doença é o geral (das Allgemeine) e, nesse sentido, é a norma, e é formulada apenas pelos médicos de outra forma. Mas se, de qualquer forma, a doença é o geral, por que não começar com ela imediatamente e dar-lhe toda a prioridade?

2)
O iatrocapitalismo, os médicos, tornam isso possível: o comunismo é realizado pelos médicos.
Como é isso? O comunismo sempre postulou, como já antigamente o filósofo grego Protágoras, que o homem não é apenas a medida de todas as coisas, mas é parte por parte o mais valioso e precioso entre o Céu e a Terra (ver também a Constituição alemã (análoga à Constituição espanhola e colombiana): “a dignidade do homem é inviolável” - ah, ah!). Do ponto de vista médico, o homem tornou-se entretanto o mais valioso em cada uma das suas partes. Cada célula do corpo humano, cultivada e criada no laboratório genético, transformada em mercadoria, amortiza-se de sobra na forma de montantes de milhares de milhões. A economia de mercado livre torna isso possível, até mesmo forçando-o, pela fabricação, pela produção em massa, o boom por excelência; com o desemprego em massa, é previsível que não haja problemas de nenhum tipo. Cada uma das células do corpo é infinitamente valiosa e não deve ser desperdiçada, pois com ela é possível clonar outro “ser humano”, como cópia ou como armazém vivo de peças de reposição.

Capitalismo:
É o capitalismo mais moderno da Idade da Pedra. Do capitalismo antigo da Idade da Pedra, graças à classe médica, estamos curados de uma vez por todas. Exatamente por este moderno. No antigo capitalismo da Idade da Pedra, as coisas ainda eram valiosas, mas o homem não valia nada. Era intercambiável e, por isso, substituível a qualquer momento: “Se um homem morre, isso não é uma ruína; mas se o gado morre, é uma tragédia” (Menschensterben, kein Verderben, Viehverrecken, das bringt Schrecken). Assim como antigamente se queimava carvão nas locomotivas a vapor para que o comboio funcionasse, assim também no antigo capitalismo da Idade da Pedra se consumiam todas as pessoas, todas menos os foguistas (¡!) e estes, por vezes, afinal de contas também, para que se acumulasse capital. Não, não ganhar dinheiro, mas o truque de fazer mais dinheiro do dinheiro, e saber, sem escrúpulos, passando por cima dos cadáveres, isso é o Capital, ou seja: amontoar capital, acumulação de capital. Em uma palavra: Capitalismo. O truque tornou-se sistema, a longo prazo e por costume, já ninguém se apercebe disso. Mas todos o sentem, todos estão profundamente doentes e, pelos médicos, tornaram-se doentes de morte.

Assim já o praticavam há milénios os sacerdotes médicos: qualificavam algumas coisas como deuses e, para isso, sacrificavam homens. Os homens não valiam nada, serviam no máximo como vítimas de oferendas matadas para esses deuses (Schlacht-Opfer-Gaben für diese Götter). Assim, cada época tinha os seus truques particulares, a sua classe específica de vigaristas. Isso às vezes corria muito mal. Mas depois isso era sempre um avanço monstruoso, é verdade!

Os médicos cumprem agora os objetivos dos marxistas, ou seja, que as coisas já não são consideradas valiosas, mas apenas “o homem”?

Não. A alienação é potencializada. O objeto valioso já não é o ouro ou um diamante, mas o “homem biomassa” é a mina de diamantes e ouro de hoje. A partir de cada célula do corpo, é possível clonar um “homem novo” completo. O que se chama homem torna-se ainda mais uma coisa, um objeto, a coisa mais valiosa para a clonagem e/ou como armazém de peças sobressalentes para aqueles que podem permitir-se comprar órgãos alheios.   De certa forma, isso é uma reciclagem de material valioso. Liberdade: cada um pode comprar e vender o que quiser. Consequência e causa, mesmo no capitalismo mais moderno da Idade da Pedra: o homem é desmontável (isso é bem sabido).

A medida monetária era antigamente chamada de reservas de ouro, depois o total das unidades de trabalho, medidas em tempo. No futuro, a medida monetária será chamada de gen, simplesmente gen. Milhares de milhões desses, você também os chama de próprios. Guarde o que você tem para que ninguém roube a sua coroa. (Bíblia Poliglota, AT: Halte, was Du hast, auf daß Dir niemand Deine Krone raube.) Caramba!

Já em 1965 (!): Trouxeram a altas horas da noite um jovem motociclista para a Equipa Cirúrgica com pasta em vez de miolos. Os estudantes de medicina na clínica ficaram espantados: nenhum médico mexeu um dedo. Nada foi feito. Era claro que o jovem morreria se nada fosse feito. Nenhum médico interveio. Mas, um momento depois, era tarde demais, uma nuvem branca, tudo estava cheio de batas brancas lavadas, grande agitação e alegre excitação, todos com os seus uniformes: extração de órgãos.

As pessoas são “desligadas” antes do tempo, antes de terem morrido “de verdade”, o que é “utilizável” é desmontado e explorado para vender órgãos a outros por muito dinheiro. “Superpopulação?”. Alguns estão destinados à morte, e os outros, para poderem sobreviver, estão destinados a receber os órgãos alheios, alienados, órgãos alienados da espécie humana. Para que um continue a viver, outro deve morrer. Assim, uns cuidam dos outros. Ou seja, não se trata do número total de vivos em relação à “superpopulação”. Não se trata de que deva haver menos pessoas na Terra em geral. Caso contrário, os médicos ficariam felizes com cada pessoa que morresse de “falência de um órgão”. Porquê os transplantes de órgãos? É uma questão de pertença a uma classe, e esta é definida pelos médicos: pertence-se àqueles que estão destinados a morrer ou aos outros, os “eleitos” para os transplantes de órgãos? Os médicos procuram o lucro (... den Profit) em ambos os casos.

E, finalmente: superpopulação? Existem apenas médicos, e os outros, do ponto de vista deles, não são nada mais do que “human vegetable” (verduras).

Médicos Sem Fronteiras, que verdade, que realidade! Não, liberais, nós não somos isso. Isso também não está de forma alguma ao nosso alcance. Quem é livre hoje em dia de alguma coisa?

Já publicámos há mais de 20 anos (1976): Iatrocracia: os médicos como classe-banda-raça, desde o monopólio médico do assassinato até ao monopólio médico da produção. Publicado desde 1977: valor, violência e poder foram eliminados do nosso vocabulário e substituídos por Iatrarquia. Iatrarquia: a violência valorativa da norma médica. Num panfleto da Frente de Pacientes de 1979 contra um congresso internacional de médicos, com o tema da alimentação: enfermofagia dos médicos = o canibalismo antigo e novo. Cenário da guerra e campo de batalha hoje em dia: o corpo.

Tradução:

SPK/PF EMF Colombia, SPK/PF EMF Espa
 

 

Continua

 

El Manifiesto comunista para el Tercer Milenio

The Communist Manifesto for the Third Millennium

Das Kommunistische Manifest des 3. Jahrtausend

Le Manifeste Communiste du 3ième Millénaire

Het kommunistisch manifest voor het 3de millenium

Το Κομουνιστικό Μανιφέστο της Τρίτης Χιλιετίας